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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

FOGÃO DE LENHA


Estou a lembrar um utilitário antigo: o velho fogão de lenha. Na casa dos meus pais ele esteve presente até bem pouco tempo. Foi utilizado para muitas coisas: servia para fazer a comida, para esquentar a água de tomar banho, e, principalmente, ao redor dele, naqueles dias de frio, a família se agrupava para buscar calor.
Funcionava como se fosse uma lareira, esparramando tepidez pela casa toda.
Nos reuníamos com a chapa cheia de pinhões e amendoins que iam assando e comidos com avidez.
Ali eram sapecadas as polentas.
Ao seu redor contávamos as histórias. Enquanto não se deixava faltar lenha no compartimento do fogo, o calor não fugia.
Ali catucávamos os irmãos e as irmãs menores ou aplicávamos beliscões só para vê-los chorar.
Às vezes alguém tocava nos cantos superaquecidos provocando queimaduras e gritos de dor.
Passávamos o tempo nos aquecendo ao seu redor, porque faltavam roupas grossas para enfrentar o frio.
Meu pai, quando a temperatura diminuía, colocava nozes de pinho que faziam um fogo forte e avermelhavam a chapa soltando um cheiro diferente de um fogo vermelho e azulado.
Era ali, cortejando aquele calor, que passávamos parte dos invernos mariopolitanos. Eram sempre muito cruéis. Vinham acompanhados de ventos gelados, geada e até neve!
Hoje sinto falta desse calor, dos risos que nos proporcionou, das histórias que criou e da facilidade que tínhamos de nos reunir.